Oração de Ação de Graças pelos 120 anos da Arquidiocese

Caro irmão, querida irmã,

há cento e vinte anos a nossa Igreja Particular de Belém foi elevada à condição de Arquidiocese no dia 1º. de maio de 1906 pela Bula Sempiternum humani generis do Papa S. Pio X. Celebramos essa data como momento de ação de graças a Deus, de memória agradecida e de renovação em vista do futuro.

Para entender bem o sentido da celebração dos 120 anos de nossa Arquidiocese é bom lembrar o que Jesus nos ensina: eu sou a videira e vós sois os ramos! Você já viu uma videira? Sabe distinguir onde começa a videira e onde os ramos? Assim como a videira é uma só, assim também a nossa união com Cristo: formamos com Ele um só. Não é uma unidade de justaposição. É uma unidade orgânica: o todo está nas partes e as partes estão no todo.

Formamos com Ele uma única videira. Essa é a obra maravilhosa do Espírito Santo: somos um só com Cristo. Sem perder a própria identidade, sem ser absorvido por Ele, eu me torno, em união com Cristo e com os irmãos, uma só videira, uma só coisa.

Esse é o mistério da Igreja: nós não estamos unidos individualmente a Cristo. A Arquidiocese não é só a instituição, não são apenas as estruturas físicas e sociais. A Igreja é o mistério da unidade com Cristo para formar com Ele uma só realidade. Ou como diz São Pedro: nós somos pedras vivas edificadas sobre a pedra angular, a pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus (1Pd 2,4). Nós formamos com Cristo um edifício espiritual, um sacerdócio santo (1Pd 2,5).

Pergunto: auva é fruto da videira ou dos ramos? É da videira e dos ramos! O fruto é produzido pelo ramo, na medida em que faz parte da videira. O fruto revela a vitalidade do ramo. Se o ramo se separa da videira, ele seca e não dá fruto. Assim as obras que faço, não são só minhas, mas também as de Cristo. As obras de Cristo, são dele, mas são feitas minhas. É maravilhoso o mistério da unidade da Igreja com Cristo! Por isso não posso não amar a Igreja!

Amo a Igreja de Belém porque ela me dá o que é necessário. Há mais de trezentos anos ela existe e trabalha para que não falte a nós, seus filhos e filhas, o que é absolutamente necessário: Jesus Cristo.

Amo a Arquidiocese de Belém porque ser um só com Cristo não é possível sem a Igreja, sem os irmãos e irmãs que como eu estão enxertados em Cristo, formando um sacerdócio santo a fim de oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo (1Pd 2,5). Estando na Igreja não só com o corpo, mas com o coração, sou com os irmãos e irmãs a raça escolhida, o sacerdócio do Reino, a nação santa, o povo que ele conquistou para proclamar as obras admiráveis de Cristo (1Pd 2,9).

Amo a Igreja de Belém porque ela me ensina a forma correta de exprimir a fé (a profissão de fé, os dogmas de fé), ela fornece para mim o modo prático de viver a fé em Cristo (os mandamentos, as bem-aventuranças, a ética cristã e a doutrina social), ela põe à minha disposição o tesouro da oração bimilenar da Esposa de Cristo (a Sagrada Liturgia, as devoções e a espiritualidade dos santos).

Amo a Igreja porque Jesus me ensinou a amar a Deus e ao próximo. Amar o próximo nada mais é do que amar a Igreja. A Igreja são os batizados, são os fiéis desta Arquidiocese, somos nós. No amor à Igreja estão incluídos também os que não pertencem a ela, mas que partilham conosco as mesmas Sagradas Escrituras, o mesmo Senhor, a mesma fé, o mesmo batismo. No amor à Igreja estão incluídos os irmãos mais velhos, os que adoram o único Deus Salvador, os que procuram a Deus de coração sincero e até mesmo os que não tem fé. Amo a Igreja porque ela dilatou o meu coração para amar a todos, para desejar a todos a Salvação e para sofrer por todos.

Amo a Igreja de Belém porque, para ser nela admitido, não me foram exigidas virtudes heroicas, nem santidade de vida, tampouco qualidades espirituais. Na Igreja, aprendi que tudo devo receber das mãos de Jesus: o ramo recebe a Vida estando unido à Videira! A santidade é continuamente derramada em meu coração porque na Igreja estou no bioma da graça; ela é o ambiente vital da comunicação da graça; a Igreja é o ecossistema onde a chuva torrencial dos bens divinos nos encharca de vida eterna.

Amo a Igreja porque mesmo manchada, ferida e enlameada pelos meus pecados, ela continua rezando pela minha conversão, continua sofrendo pela minha santificação, continua, como Cristo, achando que vale a pena tentar me salvar.

Amo a Igreja porque ela me ensina a amar os pobres. Nestes cento e vinte anos, a Arquidiocese de Belém nunca deixou de servir os pobres, continuamente se prodigalizou a serviço dos necessitados. Ela criou instituições de ensino para promover a educação e a cultura, construiu e administrou hospitais para cuidar dos enfermos, mantém farmácias comunitárias, alimenta os irmãos que moram na rua, distribui alimento para as famílias.

A Igreja formou e continua formando os ministros ordenados que nos batizaram, atenderam as nossas confissões, assistiram aos nossos casamentos, acompanharam com suas orações a última passagem dos nossos caros. Deus seja bendito para sempre pelos ministros ordenados que foram inseridos na corrente ininterrupta dos bispos, padres e diáconos que atravessa os milênios até o dia de hoje. Bendito seja Deus pelos consagrados e consagradas que testemunharam e continuam a testemunhar o tesouro do Reino de Deus pelos votos de pobreza, castidade e obediência. Bendito seja Deus pela santidade cotidiana dos fiéis leigos. Eles provam que a santidade não é privilégio de uma elite, mas uma graça que não falta a batizado algum.

Amo a Igreja porque ela me dá os sacramentos, o alimento da Palavra e da Eucaristia, o exemplo dos Santos e de também tantos outros Santos anônimos do cotidiano com quem convivemos.

Amo a Igreja de Belém porque recebo nela o Espírito que forma em mim a imagem de Cristo: seus sentimentos são os meus; suas palavras são as minhas; seus pensamentos são os meus; seu amor ao Pai, é meu; seu amor por Maria, é meu!

É justo e é nosso dever, nesta celebração Cento e vinte anos, dizer:

Deus seja bendito!

Deus seja louvado!

A Deus nossa gratidão para sempre!

Meu caro irmão, minha querida irmã da Arquidiocese de Belém, convido-o a continuar rezando,

ORAÇÃO – 120 ANOS DA ARQUIDIOCESE DE BELÉM

Ó Pai de misericórdia que edificastes a Igreja Particular de Belém com pedras vivas e escolhidas sobre o fundamento dos apóstolos e sobre Cristo, Pedra angular, volvei um olhar de carinho a nós que celebramos os 120 anos de nossa Arquidiocese.

Nós vos damos graças por todos os fiéis que de geração em geração mantiveram viva a chama da fé e a transmitiram integralmente. Nós vos agradecemos pelos missionários que atravessaram rios e florestas para compartilhar o tesouro do encontro pessoal com Cristo, pelos padres, consagrados e consagradas que plantaram a Igreja na Amazônia. Nós elevamos nossa ação de graças pelas comunidades que semearam a presença de Vosso Corpo Místico na nossa vida cotidiana.

Semeai a vossa Palavra em nossos corações, para que produzamos frutos abundantes para a vida eterna. Santificai a nossa Arquidiocese, vossa casa e vossa família, para que ela possa gerar muitos filhos e filhas para a Vida da graça.

Renovai a nossa Igreja pelos sacramentos da Nova Aliança para que nos dediquemos decididamente ao serviço da vida plena para todos, do cuidado da Amazônia e da Evangelização de todos os que nos foram confiados.
Derramai em nossos corações o dom do Espírito Santo para que nos leve a evangelizar em comunidades eclesiais missionárias, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, cuidando da casa comum.

Pela intercessão de nossa Padroeira, Nossa Senhora de Belém, concedei-nos perseverar na oração para testemunhar o Reino de Deus rumo à plenitude.

Dom Julio Endi Akamine, SAC
Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará

Dom Julio Endi é Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Belém do Pará, tem como lema episcopal “Bonum Facientes Infatigabiles – Não vos canseis de fazer o bem”. Natural de Garça (SP), ingressou em 1975 no Seminário da Sociedade do Apostolado Católico (Padres Palotinos) e foi ordenado presbítero em 1988. É mestre e doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. Ao longo de sua trajetória pastoral, atuou como vigário paroquial, pároco, reitor de seminário e professor, além de ter exercido a função de Reitor Provincial da Província Palotina São Paulo Apóstolo. Foi nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo em 2011 e, posteriormente, Arcebispo de Sorocaba. Desde 6 de agosto de 2025, exerce o ministério de Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará.

Compartilhe o post

Veja também

Fique sempre por dentro de todos os nossos conteúdos

Conecte-se e acompanhe tudo em primeira mão