Missa: quando devemos ficar de pé ou de joelhos?

“Os gestos e posições do corpo, tanto do sacerdote, como do povo devem contribuir para que toda a celebração resplandeça pelo decoro e nobre simplicidade, se compreenda a verdadeira e plena significação de suas diversas partes e se favoreça a participação de todos” (Instrução Geral sobre o Missal Romano – IGMR 42).

Nesse sentido, algumas orientações são necessárias.

Qual deve ser a posição do corpo durante o rito penitencial?

Em várias ocasiões nota-se que alguns fiéis se ajoelham durante o rito penitencial. Esse costume, no entanto, está errado, pois a IGMR 43 determina que “os fiéis permaneçam de pé, do início do canto da entrada ou enquanto o sacerdote se aproxima, até a oração da coleta inclusive”.

No rito penitencial da missa, a postura de pé expressa:

  • respeito diante da presença do Senhor e prontidão para cumprir a Palavra de Deus. Não nos esqueçamos que o rito penitencial prepara a comunidade litúrgica para a Liturgia da Palavra.
  • participação na ressurreição de Cristo que nos reergue do pecado para viver uma vida nova.

Ficar de pé não contradiz a contrição nem diminui o arrependimento. Ao contrário, a assembleia litúrgica reconhece o pecado, mas o faz na esperança da misericórdia, voltando-se para Cristo vivo, que perdoa e restaura. Por isso, a posição de pé é simultaneamente humilde e esperançosa: batemos no peito pelo pecado, mas permanecemos de pé porque a graça de Cristo nos levanta. É preciso reconhecer o pecado, mas nesse reconhecimento o fiel não permanece prostrado no pecado, pois Cristo ressuscitado o ergue para uma vida nova. Portanto, a posição correta do corpo no rito penitencial é de pé.

  • A posição no rito penitencial é de pé.

Qual deve ser a posição do corpo durante a Oração Eucarística?

Segundo a IGMR 43: “os fiéis se ajoelhem durante a consagração, a não ser que motivo de saúde ou falta de espaço ou o grande número de presentes ou outras causas razoáveis não o permitam. Contudo, aqueles que não se ajoelham na consagração, façam inclinação profunda enquanto o sacerdote faz genuflexão após a consagração”.

Há alguns fiéis que permanecem de joelhos do fim da aclamação do ‘Santo’ até o final da OE e antes da comunhão quando o sacerdote diz ‘Eis o Cordeiro de Deus’.

Nesse sentido a recomenda a IGMR 43: “Onde for costume o povo permanecer de joelhos do fim da aclamação do ‘Santo’ até o final da OE e antes da comunhão quando o sacerdote diz ‘Eis o Cordeiro de Deus’, é louvável que ele seja mantido”. A mesma IGMR 43, porém, prescreve que “compete à Conferência dos Bispos adaptar, segundo as normas do Direito, a índole e as legítimas tradições dos povos, os gestos e posições do corpo descritos no Ordinário da missa”.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil não prevê que os fiéis permaneçam de joelhos nesses momentos. Por isso a posição do corpo do fim da aclamação do ‘Santo’ até o final da OE e antes da comunhão quando o sacerdote diz ‘Eis o Cordeiro de Deus’ é de pé.

  • A posição durante a OE (exceto durante a consagração) e antes da comunhão, quando o sacerdote diz ‘Eis o Cordeiro de Deus’, é de pé.
  • A posição do corpo durante a consagração é de joelhos.

Como se deve ajoelhar?

Há alguns que se ajoelham de costas para o altar. Essa prática está errada. Quando nos ajoelhamos, nós sempre nos ajoelhamos voltados para o altar de onde nós recebemos o pão da vida e o vinho da salvação.

  • Deve-se ajoelhar voltado para o altar. Nunca se deve ajoelhar de costas para o altar.

Foto de destaque: Canva

Dom Julio Endi Akamine, SAC
Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará

Dom Julio Endi é Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Belém do Pará, tem como lema episcopal “Bonum Facientes Infatigabiles – Não vos canseis de fazer o bem”. Natural de Garça (SP), ingressou em 1975 no Seminário da Sociedade do Apostolado Católico (Padres Palotinos) e foi ordenado presbítero em 1988. É mestre e doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. Ao longo de sua trajetória pastoral, atuou como vigário paroquial, pároco, reitor de seminário e professor, além de ter exercido a função de Reitor Provincial da Província Palotina São Paulo Apóstolo. Foi nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo em 2011 e, posteriormente, Arcebispo de Sorocaba. Desde 6 de agosto de 2025, exerce o ministério de Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará.

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