Maria, missionária que nos dá Jesus

Caríssimos leitores, neste mês de outubro, de modo bem especial, Belém do Pará é tomada pela fé e pela esperança de milhares de pessoas que caminham pelas ruas para homenagear Nossa Senhora de Nazaré. Nesta reflexão conto com a colaboração de Ir. Maria Rejiane da Mata Dias, Filha da Caridade.

O tema do Círio de Nazaré 2026: “Maria, missionária que nos dá Jesus” nos apresenta Maria como mãe e missionária, aquela que leva Cristo ao coração das pessoas. Ela não guarda Jesus apenas para si, mas o apresenta ao mundo, ensinando-nos a viver a fé de maneira concreta, através do amor, do serviço e da solidariedade.

Ao contemplarmos as procissões do Círio, percebemos que elas são expressão da fé simples do povo, da confiança em Deus e da certeza de que Maria continua caminhando conosco. Quantas lágrimas foram derramadas durante as romarias? Quantas promessas foram entregues silenciosamente no coração? Quantos agradeceram por uma graça alcançada ou pediram forças para continuar enfrentando as dificuldades da vida?

O Círio é também um grande testemunho de unidade. Em meio às diferenças sociais, culturais e econômicas, todos caminham lado a lado. Não há distinção quando o olhar se volta para Maria. O rico e o pobre, o jovem e o idoso, a criança e o enfermo encontram espaço sob o manto da Mãe de Nazaré. Isso nos faz refletir: temos aprendido, em nosso cotidiano, a acolher as pessoas como Maria acolhe seus filhos? Temos sido sinais de união ou de divisão dentro das nossas famílias e comunidades?

Outro aspecto marcante do Círio é a solidariedade. Durante as procissões, vemos pessoas oferecendo água, alimento, ajuda e palavras de incentivo. Pequenos gestos revelam grandes sinais de humanidade e fé. Em um mundo marcado pelo individualismo e pela pressa, o Círio nos recorda que ninguém caminha sozinho. Será que temos sido capazes de perceber a dor do outro? Temos estendido a mão a quem mais precisa?

O tema deste ano nos convida ainda a olhar para Maria como missionária. Depois de receber o anúncio do anjo, ela colocou-se a caminho para servir Isabel. Maria não ficou parada; ela foi ao encontro do próximo. Assim também deve ser a vida cristã. A verdadeira fé não se limita às palavras ou aos momentos de emoção religiosa, mas se transforma em atitude concreta de amor e serviço.

Maria continua apontando para Jesus e ensinando o caminho da humildade, da confiança e da perseverança. Em tempos de tantas dificuldades, violências e inseguranças, o testemunho da Mãe de Nazaré nos recorda que Deus nunca abandona seu povo. Mesmo diante das dores da vida, a esperança permanece viva no coração daqueles que confiam no Senhor.

Talvez seja o momento de perguntar: como tenho vivido minha fé? Tenho permitido que Deus transforme minhas atitudes? Minha presença tem levado esperança às pessoas ou aumentado o desânimo e a indiferença?

Somos convidados a continuar caminhando com Maria. Ela nos ensina que evangelizar é aproximar as pessoas de Jesus através da simplicidade, da escuta, da acolhida e da misericórdia. A missão da Igreja e de cada cristão é justamente esta: levar Cristo ao mundo, especialmente aos que estão sofrendo, afastados ou sem esperança.

Outro aspecto que o tema “Maria, missionária que nos dá Jesus” nos ajuda a compreender é a importância da escuta da Palavra de Deus. Maria não apenas ouviu o anúncio do anjo, mas acolheu em seu coração e colocou em prática aquilo que recebeu. Da mesma forma, somos chamados a não apenas ouvir o Evangelho, mas deixá-lo transformar nossas atitudes diárias. Será que estamos realmente permitindo que a Palavra de Deus mude nossas escolhas, nossos relacionamentos e a forma como tratamos as pessoas?

Caros leitores, que a emoção vivida nas procissões não fique apenas na memória, mas se transforme em compromisso concreto com o Evangelho. Que nossas famílias sejam mais unidas, nossas comunidades mais acolhedoras e nossos corações mais abertos ao amor de Deus.

Que Maria, missionária que nos dá Jesus, continue intercedendo pelo povo paraense e por toda a Amazônia. Afinal, depois de caminhar com Maria pelas ruas de Belém, somos chamados a continuar caminhando com ela todos os dias da nossa vida

Dom Paulo Andreolli, S.X.
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belém do Pará

Dom Paulo Andreolli é Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belém do Pará e tem como lema episcopal “Corações ardentes, pés a caminho”. Natural de Pojana Maggiore (Itália), ingressou ainda jovem no Seminário dos Missionários Xaverianos e foi ordenado presbítero em 2000. Ao longo de sua missão, atuou como animador missionário, vigário paroquial, pároco e assessor em organismos eclesiais, com forte presença pastoral no estado do Pará. Em 2007 foi enviado em missão para o Brasil, em São Félix do Xingu (PA), com intensa dedicação à animação missionária e vocacional, especialmente entre os jovens. A partir de 2017, deu continuidade à missão no Pará, com atuação na comunidade formativa de Ananindeua. Foi nomeado Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belém do Pará pelo Papa Francisco em 2023, exercendo seu ministério a serviço da evangelização e da ação missionária.

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