ARCEBISPO EMÉRITO DE BELÉM

“PARA A VIDA DO MUNDO”

Dom Alberto Taveira Corrêa

Nascimento:
26/05/1950
Ordenação Presbiteral:
15/08/1973
Nomeação Episcopal:
24/04/1991
Ordenação Episcopal:
06/07/1991
Nomeação Arcebispo:
27/03/1996
Arcebispo Emérito:
06/08/2025

Dom Alberto Taveira Corrêa é um reconhecido líder da Igreja Católica no Brasil, nascido em Nova Lima (MG), em 26 de maio de 1950. Atualmente é Arcebispo Emérito da Arquidiocese de Belém do Pará. Ao longo de sua vida, serviu com grande dedicação nas arquidioceses de Minas Gerais, Brasília, Tocantins e Pará, encerrando seu governo como o 10º Arcebispo de Belém em 6 de agosto de 2025, ao ter sua renúncia aceita pelo Papa Leão XIV, conforme o Código de Direito Canônico.

Seu serviço pastoral é marcado por uma vida de entrega, amor ao povo de Deus, zelo pelas vocações e profundidade espiritual.

Formação e Caminho Sacerdotal

Dom Alberto iniciou seus estudos no Grupo Escolar George Chalmers e, em 1961, ingressou no Seminário Provincial do Coração Eucarístico de Jesus. Estudou Filosofia e Teologia na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, onde obteve a Licenciatura em Filosofia e o Bacharelado em Teologia.

Foi ordenado sacerdote em 15 de agosto de 1973, por Dom João Resende Costa, então Arcebispo de Belo Horizonte. Atuou como pároco em diversas comunidades, incluindo a Paróquia de Nossa Senhora do Pilar, em Nova Lima, entre 1973 e 1977. Também foi vigário paroquial da Paróquia de Santo Antônio do Morro Velho e capelão do Hospital Nossa Senhora de Lourdes.

Em 1989, foi transferido para Bonfim (MG), assumindo as paróquias do Senhor Bom Jesus do Bonfim e de Santo Antônio de Vargem Alegre, além de atuar como vigário forâneo da Forania São Caetano.

Entre 1978 e 1984, foi Reitor do Seminário Provincial Coração Eucarístico de Jesus, em Belo Horizonte, e de 1978 a 2000, atuou como Secretário Executivo da OSIB (Organização dos Seminários e Institutos do Brasil).

Ministério Episcopal e Missão

Em 24 de abril de 1991, foi nomeado pelo Papa São João Paulo II como Bispo Auxiliar de Brasília, sendo ordenado em 6 de julho do mesmo ano em sua cidade natal. Em Brasília, atuou em diversas comissões, como a Comissão Episcopal de Vocações e Ministérios do CELAM, foi Bispo Assistente Nacional da Renovação Carismática Católica e acompanhou o Grupo Parlamentar Católico do Congresso Nacional.

Em 27 de março de 1996, foi nomeado 1º Arcebispo Metropolitano de Palmas (TO), onde implantou as bases da nova arquidiocese e exerceu grande influência na expansão da Igreja na região. Também integrou o Conselho Administrativo da Fundação Populorum Progressio, exercendo a vice-presidência por dois mandatos.

Em Belém do Pará

Em 30 de dezembro de 2009, sob decisão do Papa Bento XVI, Dom Alberto foi nomeado como o 10º Arcebispo Metropolitano de Belém, Pará. Sua posse ocorreu em 25 de março de 2010, marcando uma nova fase de liderança em uma das mais importantes arquidioceses do Brasil. Seu mandato como governante desta Igreja seguiu até o dia 6 de agosto de 2025, quando o Santo Padre, Papa Leão XIV, aceitou a sua renúncia, conforme orientação do Código de Direito Canônico, ao chegar aos seus 75 anos de idade.

Ao longo destes 15 anos à frente da Arquidiocese de Belém, Dom Alberto criou 50 paróquias; destas elevou sete à condição de santuários diocesano; criou duas Regiões Episcopais: Coração Eucarístico de Jesus e Nossa Senhora do Ó; expandiu os serviços pastorais nas regiões metropolitanas, nas áreas ribeirinhas, na comunicação e na formação de novos padres e diáconos. Ao todo foram ordenados por Dom Alberto 127 padres e 239 diáconos permanentes. Também foi presidente da Fundação Nazaré de Comunicação, onde hoje ainda segue como apresentador de programas na TV e articulista de diversos meios impressos e online, além de ser um pregador de retiros.

CONTRIBUIÇÕES LITERÁRIAS E ESPIRITUAIS

Além de seu serviço ativo na hierarquia da Igreja Católica, Dom Alberto Taveira Corrêa também se destacou como autor prolífico, publicando diversos trabalhos que refletem sua profunda espiritualidade e ensinamentos. Suas publicações têm impactado a vida de muitos, fortalecendo a fé e proporcionando orientações espirituais para o caminho da vida cristã. Em 2023, após mais de dez décadas de serviço, foi lançado a mais nova versão do Missal Romano, na qual Dom Alberto trabalhou, juntamente com uma comissão designada pela Assembleia dos Bispos do Brasil.

OBRAS LITERÁRIAS

Dom Alberto também é um prolífico escritor. Publicou 33 livros, abordando temas como espiritualidade, teologia, devoção mariana, vida cristã e ministério sacerdotal. Suas obras se destacam por linguagem acessível e conteúdo profundo, alcançando ampla audiência entre fiéis e interessados na espiritualidade católica.

Destaques entre suas obras:

  • O Evangelho da Igreja (2021) – Reflexão sobre os fundamentos da fé e a missão da Igreja.

  • Conversa com Nossa Senhora (2021) – Meditação sobre a devoção mariana.

  • Aos Pés do Senhor (várias edições) – Série de reflexões sobre misericórdia, conversão e seguimento de Cristo.

  • Sacerdotes Seguindo Cristo no Caminho das Bem-Aventuranças (2021) – Estudo espiritual voltado ao clero.

  • Retiro Popular – Série de publicações com roteiros de retiros espirituais.

Dom Alberto também integrou a comissão de tradução da nova edição do Missal Romano, lançada pela CNBB em 2023, demonstrando sua relevância no cenário litúrgico nacional.

A trajetória de Dom Alberto Taveira Corrêa é uma jornada inspiradora de compromisso religioso, liderança exemplar e contribuições significativas para a Igreja Católica e para a sociedade brasileira. Seus diversos serviço prestados e suas atividades em diversas comissões e instituições demonstram seu profundo compromisso com a fé e o bem-estar espiritual das pessoas. Suas obras literárias complementam essa dedicação, enriquecendo a espiritualidade dos leitores. Dom Alberto Taveira Corrêa é um modelo notável de fé e serviço, deixando um legado significativo na história da Igreja Católica no Brasil, uma inspiração para as Vocações.

DESCRIÇÃO HERÁLDICA

O brasão de Dom Alberto Taveira Corrêa, foi criado em 1991 por ocasião de sua Ordenação Episcopal (06/07) como bispo auxiliar da Arquidiocese de Brasília e teve com inspiração como lema episcopal: “PARA A VIDA DO MUNDO”.

Em sua construção, lançados em campo único vermelho estão em ouro, uma estrela manifesta em seu brilho e um feixe de trigo. Este conjunto heráldico representa três elementos da fé cristã que manifestam a compreensão do lema episcopal do Arcebispo, a EucaristiaMaria e a Unidade.

Distintos e integrados eles dizem o afã de ser instrumento da vida plena: “a mim o menor de todos, foi concedido o desafio de anunciar a todos o mistério das riquezas insondáveis de Cristo.” (Ef 3, 8).

Elementos:

A Eucaristia: expressa no lema episcopal a partir do feixe do trigo. Ela é o corpo de Cristo dado por vós. Recorda Jesus quando “abre o coração“ e fala: “O Pão que eu darei é minha carne dada PARA A VIDA DO MUNDO” (Jo 6, 51). Para o caminho e a maturidade de filhos recebemos nesta fonte o “Corpo entregue” e o “Sangue derramado” de Jesus, tesouro entregue é tesouro a se comunicar. Desta forma cabe ao epíscopo anunciar o amor que lhe foi entregue e convidar a todos a acolher este imenso dom na Eucaristia. Ser exemplo para que os outros conheçam este amor.

Maria: expressada na estrela que brilha. Ela é a rainha e a estrela da evangelização, que aqui apresenta uma luz que não é sua, mas toda de Deus, por isso vemos o brilho da estrela que reluz a “luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado e não criado…”. A estrela não se apresenta, mas se faz instrumento escondido, é como se Maria estivesse tomando para si a palavra de João Batista: “importa que Ele cresça e eu diminua”, e ainda reitera: “fazei tudo o que Ele vos disser”.

No coração do Arcebispo o título mariano, com o qual teve contato e forjou-lhe uma profunda consciência de ser filho de Deus e da Igreja, foi o de Nossa Senhora do Pilar, padroeira de sua cidade natal (Nova Lima – MG). Pulsa no sim dado a missão episcopal, a certeza de Maria como amparo da fé, pois é modelo de entrega de vida e cuja fidelidade se apoia na garantia de sua materna intercessão.

A Unidade: expressa no campo único da arte do brasão, propõe a entrega da vida inteira a Deus, pois “o cristão se realiza à medida que entrega a sua vida. Só quem ama vive de verdade.” A cor vermelha além de recordar o mistério da redenção, o fogo do Espírito, diz a coragem dos mártires que no seu martírio ensinam a morrer um pouco a cada dia, para que a misericórdia Divina sustente a fragilidade humana e nos dê a coragem para sermos testemunhas de Jesus Cristo. Santo Inácio de Antioquia sugere um ideal de vida, este santo queria ser o “trigo de Cristo” triturado pelos dentes das feras, até dizia que só seria verdadeiramente homem na da entrega da vida.

Integração dos Elementos:

O conjunto em arte expressa e detalhes o mistério uno e trino de Deus. No feixe de trigo encontra-se um caule (o número “um” indica que Deus é uma só realidade) que sustenta “sete” grãos (número que biblicamente indica a perfeição), que culmina em “três” filetes (santíssima trindade, um só Deus em três pessoas) lançados a partir do conjunto dos grãos. Na base o brilho de uma estrela, todos os elementos em tons dourados (indica não só a caridade como norma da vida, mas a vitória e o caminho para alcançá-la) em harmonia no centro de um campo único, o vermelho (esta cor indica fortaleza, bons cuidados, valorização, fidelidade, alegria e honra no desafio de socorrer os pobres, infelizes e injustiçados) .

Entendimento do Conjunto:

Atrai, propõe e convida a um ideal pelo qual vale dedicar inteiramente a própria vida: Deus que é amor. Em tempos de um mundo ferido e cansado, afirma que vale carregar como norma e decisão de vida viver: “PRO MUNDI VITA!” (O Pão que Eu darei é minha carne dada PARA A VIDA DO MUNDO” (Jo 6, 51).

O mundo é um campo de missão que desafia a capacidade evangelizadora dos filhos de Deus. A Igreja que chamou Dom Alberto Taveira Corrêa à missão episcopal, para acompanhar este e todos os filhos na Eucaristia que manifestam o imenso amor seguindo os passos de Cristo, morto e ressuscitado.

Quem vive o encontro eucarístico recebe assim como os discípulos de Emaús: a palavra e o pão. Aqui a palavra é o lema episcopal e o pão é o trigo triturado. Acolher a palavra e comungar é ser transformado e impelido pelo AMOR a repetir sustentado por Maria, pilar e amparo da fé, a entrega plena e incondicional da vida, diante de cada homem e mulher, chamados ao convívio eterno!

Leitura:
Padre Cristiano José Soares Sanches
Pároco da Paróquia Divino Espírito Santo – Asa Norte (Arquidiocese de Brasília)