Um tema muito refletido na atualidade em muitas ciências e também no exercício das profissões é a questão da metodologia. A palavra metodologia é de origem grega; é um vocábulo composto por três palavras: metà (que quer dizer “para além de”) + o dòs (que significa “caminho”) + logos (que significa “estudo”).

Trata-se do caminho escolhido para se atingir um determinado objetivo. A metodologia é bem-vinda então não somente nas ciências, mas também na ação pastoral e no cotidiano da nossa vida. Sempre precisamos recorrer ao melhor caminho ou meios para podermos atingir nossos objetivos.

Não basta termos boas ideias, boa vontade e projetos; é preciso também sabermos onde estamos, como estamos, aonde queremos ir, como chegaremos lá e o que fazemos! Tudo isso diz respeito à metodologia! Isso significa atitudes!

A ausência da preocupação com a metodologia gera enormes perdas na ação pastoral. Se a pastoral existe para alimentar a fé no coração das pessoas que as motiva e para viverem com mais dignidade, sendo testemunhas da própria esperança em Jesus Cristo, então é de fundamental importância pensarmos em como promovê-la.

A metodologia pastoral de Jesus Cristo, pregando o Reino de Deus, é para nós o modelo a ser seguido. Os métodos de Jesus estavam nele mesmo: eram as suas atitudes, suas palavras carregadas de ternura e firmeza de acordo com as circunstâncias, o olhar, a linguagem simples, enfim, a sua presença na vida do povo e das pessoas. Algumas questões são muito importantes:

 

Conhecer os contextos

Toda ação pastoral acontece sempre dentro de um determinado contexto sociocultural, político, econômico e religioso. A primeira atitude, então, do bom agente de pastoral deve ser aquela de encarnar-se na realidade sem medo.

O filho de Deus para salvar a humanidade assumiu a natureza humana, encarnou-se! Não se tratou de uma simples aproximação física, mas de um profundo envolvimento com a realidade humana na sua totalidade, fazendo-se humano, sem deixar de ser Deus.

O Salvador não veio para salvar uma realidade desconhecida. Não salvou de longe! Não mandou recado! Fazendo-se humano conviveu com os homens e as mulheres do seu tempo; Jesus se fez presente na vida do povo: percorria ruas, vilas, cidades, praças, praias, templos e sinagogas; assim criou vínculos de amizade com as pessoas. Esse é o primeiro passo para qualquer agente de pastoral: ir ao encontro das pessoas.

 

Fazer um mapeamento da realidade juvenil

Os jovens devem ser encontrados, antes de tudo, no ambiente onde eles vivem. Por isso, é preciso conhecer a realidade sociocultural onde vivem e sua cultura. A realidade juvenil é complexa, composta por uma grande diversidade de contextos juvenis com suas particularidades positivas e desafios: jovens estudantes, trabalhadores, desempregados etc. Cada categoria de jovens é portadora de sonhos e clamores.

O início da pastoral juvenil pressupõe o conhecimento e o mapeamento dessa realidade juvenil, de modo que seja capaz de se identificar núcleos organizacionais, afetivos, grupos organizados (capoeira, hip-hop, futebol, skatista, dança…) no território onde se deseja trabalhar. A partir dessa atitude é possível se visualizar um vasto horizonte de possibilidades.

 

Acolher a pessoa do jovem

O conhecimento da realidade juvenil, como condição para a evangelização dos jovens, exige uma atitude de abertura e acolhida à pessoa concreta de cada jovem. Não basta ler estudos sobre a realidade com seus inúmeros dados estatísticos. É preciso fazer a experiência do encontro e da acolhida da pessoa de cada jovem de modo que sinta que foi visto e percebido como sujeito importante.

O gesto da acolhida tem um impacto muito positivo no coração e na mente do jovem, aliás, para qualquer pessoa. Ninguém gosta de ser tratado como um objeto feito em série, igual a todos. A atenção personalizada estimula a abertura do coração.

Fazer a experiência da escuta

Se houver acolhida, poderá haver escuta! A escuta é uma das mais significativas atitudes das relações humanas.  Trata-se de uma consequência da verdadeira acolhida. Escutar é dar atenção ao outro com empatia, ou seja, colocando-se no lugar dele com suas expectativas; escutar é uma atitude que possibilita a confidência enquanto partilha gratuita de experiências de vida com suas alegrias e tristezas, ideias e temores, sonhos e projetos.

Foi através da acolhida e da escuta dinâmica que Jesus estimulou no coração da mulher samaritana um caminho de conversão (cf. Jo 4,1-45); foi através da acolhida e da escuta que Jesus reanimou e redirecionou os discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13-35); foi através da acolhida e da escuta que Jesus confortou e orientoua Nicodemos (cf. Jo 3,1-21). A experiência da acolhida e da escuta está no centro do Amor Pastoral, atitudes primordiais a quem se propõe a seguir, dar testemunho e ser modelo do Bom Pastor.

Dar importância à convivência

A promoção da pastoral acontece através da experiência da convivência, não se reduz a um fato. A convivência é o prolongamento da acolhida e da escuta. A convivência promove o conhecimento e gera amizade!

O medo e o preconceito desaparecem com a convivência. Falar de convivência com os jovens significa estar com eles, ser presença amiga, desinteressada; uma presença que interage, provoca, pergunta, estimula a conversa, pede opinião…

A meta da convivência é propiciar entre jovens e agentes de pastorais o nascimento da amizade. A amizade, ultrapassando a frieza da formalidade, gera vínculos afetivos, possibilita a abertura do coração e a disponibilidade do outro.

Dom Bosco costumava afirmar: “quando o jovem se sente amado, tudo o educador consegue dele”. A convivência gera confiança e quem confia se entrega, se faz disponível e faz tudo pelo outro!

Fazer um caminho com os jovens

Para que a convivência não seja uma experiência estéril e intimista, é de fundamental importância que seja apresentado aos jovens um caminho de crescimento, um processo de formação. É justamente isso que encontramos na narração da experiência dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13-35).

Jesus faz um caminho de formação com os discípulos que se inicia quando eles se encontram, na situação existencial em que estão; ao concluir o caminho os discípulos se tornam conscientes não somente de quem caminhava com eles, mas descobrem um motivo para viver alegres e um propósito para continuar a caminhada, agora fortalecidos e conhecedores da verdade que os libertou.

A preocupação pastoral com os jovens implica também o desejo de vê-los crescendo para serem adultos felizes e realizados. Não basta querer bem, é necessário que lhes seja proporcionado um processo de formação integral.

Por isso, é importante que em cada paróquia se elabore um processo de formação dos jovens que vise a formação do bom cristão e do honesto cidadão. A formação abraça o desafio de estimular o desabrochar das potencialidades, e os jovens trazem-na consigo.

REFLEXÃO:

Você acha importante que a pastoral juvenil conheça a realidade da vida dos jovens? Por que?

Quantos grupos juvenis, não eclesiais, você conhece algum no seu bairro?

Leia o texto Lc 24. Qual das atitudes de Jesus mais lhe chamou atenção?

Natural de Capitão Poço (PA) foi ordenado sacerdote na cidade de Ourém, também no Pará. Salesiano formador, professor, mestre. Trabalhou boa parte de seu presbiterado no Amazonas. Hoje desenvolve trabalhos com a juventude, é auxiliar bispo de Belém, articulista e comunicador.

Foi conselheiro Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Belém-PA), diretor da Missão Salesiana de Yauaretê (AM), diretor do Colégio Dom Bosco e do Centro Juvenil Salesiano. Também esteve membro do Conselho Editorial da Revista de Pastoral da ANEC e membro do Comitê REPAM.

Atuou como Vice-Provincial da Inspetoria Salesiana Missionária da Amazônia, delegado provincial para a Pastoral Juvenil Salesiana e vocacional. Atualmente é Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belém.

Dom Antônio de Assis Ribeiro

Bispo Auxiliar de Belém