“Felizes os que em vós têm sua força, e se decidem a partir quais peregrinos!” (Sl 83, 6). Aqui estamos, Maria de Nazaré, peregrinos de todas as partes de nossa Amazônia, chamados pelo Senhor através de tua presença, depois de percorrer todos os caminhos, quais romeiros que não medem esforços nem cansaço. Chegamos de todo lugar, trazemos nossa fé cristã para testemunhá-la. Trazemos nossas esperanças, nossas angústias e nossas alegrias. Nos irmãos e irmãs, em tantas distâncias percorridas, que acorrem à Casa de Plácido, estamos todos nós, certos do alívio e da cura, para que todos nos levantemos de nossas quedas.

Sim, Maria de Nazaré, o aconchego de tua casa acolhe a todos, especialmente os mais pobres, sofredores e pecadores. Por isso, junto contigo dizemos: “A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque ele olhou para a humildade de sua serva. Todas as gerações, de agora em diante, me chamarão feliz, porque o Poderoso fez para mim coisas grandiosas. O seu nome é santo, e sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem. Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os que tem planos orgulhosos no coração. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos, e mandou embora os ricos de mãos vazias. Acolheu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre” (Lc 1,47-55).

Aproveitamos as portas abertas de tua casa de Nazaré, tu que és Mãe da Igreja, Consoladora dos aflitos, Refúgio dos pecadores e Auxílio dos Cristãos, para trazer muita gente e entrar em tua casa de família. Conosco estão nossas crianças, meninos e meninas de todos os recantos, com os olhos brilhando de alegria e esperança, provenientes de nossas Paróquias, da Catequese, das Escolas e das Creches. Com elas chegam também crianças que pela vida afora foram deixadas na rua. Tu podes ver que todas as nossas crianças chegam, como que conduzidas por um imenso carro dos anjos, maior do que a multidão do Círio. Queremos que sejam acolhidas em teu colo maternal, para que todos aqueles que aceitam anúncios de anjos corram até Belém, entrem na casa de Nazaré, e encontrem Maria, com o menino ao colo. Sim, Virgem Mãe de Nazaré, todas as crianças são teus filhos.

Vemos que a peregrinação que se formou em direção a Nazaré traz consigo nossos jovens. Eles querem visitar a jovem Maria, aquela que os anos, as lutas e os sofrimentos não apagaram a luz daquela resposta dada ao Anjo da Anunciação. Queremos confiá-los a ti para que sejam arautos e guardiães do futuro da Igreja. Na vida de cada um deles esteja presente a ousadia e a coragem de uma resposta generosa aos apelos de Deus. Faze com que eles sejam luminosos para percorrer com presteza todos os caminhos, por mais íngremes que sejam, para serem servidores do Evangelho.

Maria de Nazaré, a tua casa é casa de família. Com certeza ela foi procurada pelos vizinhos e parentes, pois todos viam ali uma família tão normal que era diferente! Hoje queremos visitá-la, junto com muita gente, com santa curiosidade. Permite-nos olhar para cada cantinho da casa de Nazaré, pois vemos a delicadeza com que os detalhes eram tratados com teu carinho de mãe. Sim, aqui a tua maternidade se mostrou na total delicadeza. E tu nos permites agora confiar-te as nossas famílias, com as qualidades e os defeitos que possam ter! Ajuda-nos com tua prece e teu exemplo a buscar as coisas do alto, a recolher tudo o que existe de bom em nossas casas, pobres ou ricas, feias ou bonitas, mas cada uma delas é a nossa casa, onde pode resplandecer o que existe de melhor, o segredo da presença de Jesus, teu Filho que prometeu estar presente onde dois ou mais estivessem reunidos em seu nome. Sim, nossas famílias sejam conduzidas por teus braços e de São José, para que Jesus habite nelas!

Maria de Nazaré, tu és chamada Sede da Sabedoria e foste mãe de família. José, o homem justo foi operário, e Jesus, Verbo de Deus encarnado foi apenas e tão somente, aos olhos humanos, filho do carpinteiro. Em Nazaré a lição humilde e grandiosa do trabalho humano. Como podes ver, nossa romaria a Nazaré, hoje na cidade de Belém, que sendo do Pará continua sendo Casa do Pão, é composta de muitas mãos calejadas, outras cabeças repletas de conhecimentos, um sem número de profissões, mas todos os homens e mulheres nos rendemos diante da grandeza humilde do lugar onde Jesus habita contigo e São José. Nossas ruas se encham de gente que luta e trabalha, e todos nos tornamos iguais, apenas peregrinos, para nos inclinarmos, abaixar a cabeça de nossos orgulhos humanos, todos com jeito de Círio, todos desejosos de tocar na corda que protege teu caminhar por Belém.

Nossa Senhora de Nazaré, Mãe da Igreja! Acorrem a Nazaré nossos sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas, seminaristas, tantas pessoas consagradas! Com eles estão os nossos bispos! Tu vês que o Círio os faz todos iguais e romeiros, e queremos que entrem conosco em tua casa, para que tu sejas modelo e sinal para todas as pessoas que se entregaram totalmente a serviço de teu Filho, para o bem da imensa multidão que quer se espremer dentro da Casa de Nazaré. Sabemos o que Deus quer de todos eles e quer de nós, pois temos a certeza de que, neste Círio, com a Mãe da Igreja que nos conduz, realiza-se a palavra profética: “Eu os lacei com laços de amizade, eu os amarrei com cordas de amor; fazia com eles como quem pega uma criança ao colo e a traz até junto ao rosto. Para dar-lhes de comer eu me abaixava até eles” (Os 11, 4).

Enfim, Nossa Senhora de Nazaré, Mãe e Rainha da Amazônia, longe daqui, mas perto de nós e de nossa oração, lá em Roma, na Capela da Sala do Sínodo dos Bispos, tua imagem, dada de presente ao Papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro, está presidindo com amor de mãe o encontro dos sucessores dos apóstolos, em plena comunhão de amor com o sucessor de Pedro, na grande graça do encontro que trará novas luzes para a Evangelização em nossa região. Nossa Senhora de Nazaré, Maria Mãe da Igreja, rogai por nós!

Presidente da Fundação Nazaré de Comunicação, também é apresentador de programas na TV e Rádio e articulista de diversos meios impressos e on-line, autor da publicação anual do Retiro Popular.

Enquanto Padre exerceu seu ministério na Arquidiocese de Belo Horizonte – MG: Reitor do Seminário, Professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Pároco em várias Paróquias, Vigário Forâneo, Vigário Episcopal para a Pastoral e Capelão de Hospital.

Foi Bispo Auxiliar de Brasília, membro da Comissão Episcopal de Vocações e Ministérios do Conselho Episcopal Latino – Americano – CELAM. Tomou posse como primeiro Arcebispo Metropolitano de Palmas – TO. Atualmente o 10º Arcebispo Metropolitano de Belém.

Dom Alberto Taveira Corrêa

Arcebispo Metropolitano de Belém