A liturgia do décimo sétimo domingo do tempo comum é repleta de ensinamentos a respeito da oração. Começa com um pedido decidido: “Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e, sem vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo; redobrai de amor para conosco, para que, conduzidos por vós, usemos de tal modo os bens que passam, que possamos abraçar os que não passam”. Somos convidados a estar na presença do Senhor com a graça da humildade. Sabemos que sua misericórdia nos retribui fazendo-se ele mesmo pequeno, humilde e pobre, no seu Filho amado. Assim, não tememos dizer que sem ele ninguém é forte e ninguém é santo.

Sabemos que a prática religiosa comporta o equilíbrio das próprias forças e impulsos, exige a caridade, amor ao próximo, e suscita o relacionamento com Deus, na escolha do seguimento de Jesus Cristo e seu Evangelho e na vida de oração. A expressão “Quem reza se salva” é o nome de um opúsculo muito difundido, com as orações principais da vida cristã. O título se refere a uma afirmação lapidar de Santo Afonso Maria de Ligório: “Quem reza se salva, quem não reza se condena. Salvar-se sem rezar é dificilíssimo, até mesmo impossível. Mas rezando, a salvação é certa e facilíssima. Se não orarmos, não temos desculpas, porque a graça de rezar é dada a todos. Se não nos salvarmos, a culpa será toda nossa, porque não teremos rezado”. Os santos são fortes e dizem palavras exigentes, cujos frutos costumam ser maravilhosos na vida cristã.

Como os discípulos (Lc 11,1-13), queremos rezar e queremos aprender a rezar! A oração cristã começa do alto, pois é inciativa de Deus, que vem ao nosso encontro na criação, na salvação e na santificação. Tudo é dom total e irreversível (Cf. Rm 11, 29). A oração é antes de tudo uma troca de amor entre a Trindade Santa e a humanidade. Deus olha para nós e nós olhamos para ele, no dizer de um simples operário, que conversava com São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, sobre a oração.

Jesus reza, pois a oração é a linguagem do relacionamento de amor entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Como os discípulos, nós nos assentamos com eles aos pés de Jesus, para aprender! Todo dia rezamos assim: “Pai Nosso que estais nos Céus, santificado seja o vosso Nome, venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Mal”. Como a oração cristã sempre é feita ao Pai, por Cristo e no Espírito Santo, conduzidos por Jesus que nos fez conhecer o Pai e com o sopro do Espírito Santo que clama em nós Abbá-Pai, temos a ousadia de dizer “Pai”. Deus não nos olha de longe nem nos trata como escravos. Por Jesus Cristo temos acesso ao Pai e podemos tratá-lo com intimidade, certos de alcançar o que pedirmos. Reconhecemos a santidade de seu nome e desejamos “santificá-lo” com nossa vida e oração.

O Catecismo da Igreja Católica (2803-2865) descreve as sete petições do Pai Nosso a Deus Pai, cujos ensinamentos transcrevemos. As primeiras três aproximam-nos do Pai, e sugerem o que devemos pedir-lhe: a santificação do seu Nome, a vinda do seu Reino, a realização da sua Vontade. Depois apresentamos ao Pai de misericórdia nossas misérias e nossas expectativas. E ele nos alimente, nos perdoe, nos defenda nas tentações e nos livre do Maligno.

Santificar o Nome de Deus louvor que reconhece Deus como Santo. Santificar o Nome de Deus que nos chama à santificação (1 Ts 4,7) é desejar que a consagração batismal vivifique toda a nossa vida. É ainda pedir, com a nossa vida e a nossa oração, que o Nome de Deus seja conhecido e bendito por todos os homens. A Igreja pede a vinda final do Reino de Deus mediante o regresso de Cristo na glória, mas reza, também, para que o Reino de Deus cresça hoje, graças à santificação dos homens no Espírito e graças ao seu empenho ao serviço da justiça e da paz, segundo as Bem-aventuranças. É o grito do Espírito e da Esposa: ‘Vem Senhor Jesus’ (Ap 22,20).

A vontade do Pai é que todos os homens sejam salvos (1 Tm 2, 3). Jesus veio para realizar a Vontade salvífica do Pai. Nós pedimos ao Pai que una a nossa vontade à do Filho. Pedimos que o seu desígnio se realize plenamente na terra como no céu. Com a oração podemos discernir a vontade de Deus (Rm 12, 2) e obter a perseverança para cumpri-la (Hb 10, 36).

No coração do Pai Nosso, dizemos ‘O pão nosso de cada dia nos dai hoje’. Ao pedir o alimento quotidiano necessário a todos para a subsistência, reconhecemos o quanto nosso Pai é bom. Pedimos também para saber agir de modo que a justiça e a partilha façam com que a abundância de uns possa prover às necessidades dos outros. Porque o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus (Mt 4, 4), este pedido refere-se também à fome da Palavra de Deus e à do Corpo de Cristo na Eucaristia e à fome do Espírito Santo. Nós o pedimos para hoje, o hoje de Deus, que nos é dado sobretudo na Eucaristia que antecipa o banquete do reino que há de vir.

Ao pedir ao Pai para nos perdoar, reconhecemo-nos pecadores diante dele. Ao mesmo tempo, confessamos a sua misericórdia, porque, no seu Filho e através dos sacramentos, recebemos a redenção, o perdão dos pecados (Cl 1, 14). Porém, o nosso pedido só será atendido se tivermos perdoado aos que nos ofenderam. A misericórdia penetra no nosso coração se também nós soubermos perdoar, até aos nossos inimigos. O coração que se oferece ao Espírito Santo pode, como Cristo, amar até ao extremo do amor, mudar a ferida em compaixão, transformar a ofensa em intercessão. O perdão participa da misericórdia divina e é um vértice da oração cristã.

Depois pedimos a Deus Pai que não nos deixe sozinhos e à mercê da tentação. Pedimos para saber discernir entre a provação que ajuda a crescer no bem e a tentação que conduz ao pecado e à morte, e entre ser tentados e consentir na tentação. Esta petição coloca-nos em união com Jesus, que venceu a tentação, e solicita a graça da vigilância e da perseverança final. O Mal indica a pessoa de Satanás que se opõe a Deus e que é “o sedutor de toda a terra” (Ap 12, 9). A vitória sobre o diabo já foi alcançada por Cristo. Mas nós pedimos para que a família humana seja libertada de Satanás e das suas obras. Pedimos também o dom da paz e a graça da esperança perseverante da vinda de Cristo, que nos libertará definitivamente do Maligno.

Presidente da Fundação Nazaré de Comunicação, também é apresentador de programas na TV e Rádio e articulista de diversos meios impressos e on-line, autor da publicação anual do Retiro Popular.

Enquanto Padre exerceu seu ministério na Arquidiocese de Belo Horizonte – MG: Reitor do Seminário, Professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Pároco em várias Paróquias, Vigário Forâneo, Vigário Episcopal para a Pastoral e Capelão de Hospital.

Foi Bispo Auxiliar de Brasília, membro da Comissão Episcopal de Vocações e Ministérios do Conselho Episcopal Latino – Americano – CELAM. Tomou posse como primeiro Arcebispo Metropolitano de Palmas – TO. Atualmente o 10º Arcebispo Metropolitano de Belém.

Dom Alberto Taveira Corrêa

Arcebispo Metropolitano de Belém